Antecedentes
O principal fim da UNESCO, de acordo com o seu Acto Constitutivo, é contribuir para a paz e segurança, promovendo a colaboração das nações através da educação, ciência e cultura, para aumentar o respeito universal pela justiça, a lei, os direitos humanos e liberdades fundamentais para os povos do mundo, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião. Um dos objectivos da Organização foi sempre a promoção da paz e da cooperação internacional através da educação. Desde a sua fundação em 1946, os educadores que trabalharam com a UNESCO produziram um número impressionante de novas ideias e sugestões relativas à educação dos jovens para a compreensão internacional.
De modo a transpor essas ideias para a acção concreta, a UNESCO lançou em 1953 o Projecto da Rede de Escolas Associadas (ASPnet, Associated Schools Project Network). Em 2001, a Rede incluía já mais de 6.700 instituições de ensino, desde a educação pré-escolar até à formação de professores, em 166 países. As Escolas Associadas comprometem-se a promover os ideais da UNESCO, conduzindo projectos-piloto destinados a preparar melhor as crianças e os jovens para enfrentarem os desafios de um mundo cada vez mais complexo e interdependente. A Estratégia e Plano de Acção da ASPnet para 1999-2003 coloca a ênfase no reforço dos quatro pilares da Educação Para o Século XXI (aprender a saber, a fazer, a estar e a viver juntos) e na promoção da educação de qualidade, tal como estipulado no Quadro de Acção da Conferência de Dacar. Os professores e estudantes do Sistema das Escolas Associadas (SEA) têm muitas oportunidades para trabalhar juntos fora das salas de aula, para desenvolver abordagens educativas, métodos e materiais inovadores, do nível local ao global.
Fins
O SEA conduz as suas actividades a nível global e os seus fins podem ser assim sintetizados:
a nível nacional: As Comissões Nacionais da UNESCO e os Ministros da Educação são convidados a estabelecer uma rede de escolas interessadas em desenvolver actividades e trabalho experimental de modo a aumentar a qualidade da educação, em particular as suas dimensões éticas, culturais e internacionais, desenvolvendo abordagens educativas, métodos e materiais. A rede é concebida para ter um efeito multiplicador através da difusão de informação sobre os resultados obtidos, de modo a que outras escolas no país possam aprender sobre o trabalho empreendido e desenvolver actividades similares. Há vários casos em que a rede do SEA contribui para as reformas educativas em vários Estados-membros da UNESCO.
a nível regional: Apesar das diferenças, os países dentro de uma região partilham um certo número de denominadores comuns, tais como a língua, a religião e a cultura. Para reforçar estes vínculos, cada região do mundo é encorajada a estabelecer um Plano de Acção educativa. Isto pode ser feito sob a forma de seminários regionais e encontros de trabalho para Coordenadores Nacionais da Rede de Escolas Associadas e professores, intercâmbio de estudantes e professores, e outras iniciativas e eventos, nomeadamente, "projectos-farol".
a nível internacional: são feitos esforços para facilitar uma troca de informação sobre a Rede do SEA a todos os níveis, para a condução de projectos-farol internacionais, eventos especiais, campanhas, concursos, e para encorajar contactos e laços de solidariedade entre as instituições participantes.
Temas de Estudo
As escolas do SEA são encorajadas a desenvolver projectos piloto sobre quatro temas principais de estudo cobrindo um vasto leque de tópicos inter-relacionados. Os pontos de partida deverão ser questões relevantes para o ambiente, preocupações e aspirações dos próprios estudantes.
Problemas mundiais e o papel do sistema das Nações Unidas: Escolher uma questão de importância mundial, como a pobreza, a fome, as doenças, o desemprego, a poluição, o analfabetismo, a identidade cultural, os problemas das mulheres, a população, etc., e examinar as várias facetas do problema localmente, nacionalmente e internacionalmente. À medida que os estudantes procuram as soluções possíveis, o papel presente e futuro das Nações Unidas e das suas Agências Especializadas na ajuda à resolução destas questões torna-se mais visível e concreto. A observância dos Anos e Dias Internacionais e das Nações Unidas também pode ajudar os estudantes a situar estas questões em relação com as suas próprias vidas, agora e no futuro.
Direitos Humanos, democracia e tolerância: As escolas escolhem muitas vezes a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Convenção sobre os Direitos das Crianças, ou a Década da Educação para os Direitos Humanos (1995-2004), por exemplo, como pontos de partida. As discussões devem decorrer no contexto das próprias experiências dos estudantes, alargando-as de modo a abranger os direitos dos outros, sensibilizando-os para os seus próprios direitos mas também para os seus deveres e responsabilidades. Hoje, muitas actividades relacionadas com os direitos humanos visam eliminar todas as manifestações de intolerância, racismo e preconceito e reforçar a educação para a democracia, o respeito mútuo, a responsabilidade cívica e a tolerância e a resolução não-violenta de conflitos .
Aprendizagem intercultural: À medida que as sociedades se tornam cada vez mais multiculturais e multiétnicas, o estudo de outros países e culturas pode ser empreendido a nível local e nacional. Podem ser feitos contactos com pais ou estudantes de outras origens, povos indígenas, comunidades imigrantes, e com embaixadas e centros culturais de outros países. Tais grupos e organizações são uma fonte inestimável de informação e podem ajudar a promover uma melhor compreensão e apreciação dos costumes, tradições e valores dos outros povos, contribuindo para exposições ou indicando oradores para falarem aos estudantes sobre o seu país e o seu papel na família das Nações Unidas.
Problemas ambientais: Este tema permite aos estudantes fazer a ligação entre as questões internacionais que afectam o ambiente global e as realidades individuais, locais ou nacionais. Podem ser encorajados a confrontar problemas de importância local que podem levá-los a desenvolver estratégias para os mesmos problemas ou para problemas similares, a nível nacional e internacional. As actividades nesta área incluem estudos sobre poluição, energia, conservação de florestas, investigação marinha e atmosférica, erosão dos solos e conservação de recursos naturais, desertificação, efeito de estufa, "Agenda 21" e o modo como a ciência contribui para o futuro da Humanidade. Na sequência da reflexão em aula, são muitas vezes desenvolvidos projectos orientados para a comunidade.
Instituições
As Escolas associadas não são escolas privilegiadas. Devem ser uma parte integrante do sistema educativo nacional. Não são "escolas UNESCO", são geridas de acordo com o próprio sistema educativo nacional. São instituições seleccionadas pelas autoridades nacionais para tomar parte no Sistema de Escolas Associadas da UNESCO e tornarem-se assim "escolas piloto". O SEA representa uma enorme variedade de escolas. Embora a maioria das instituições sejam estatais, também há escolas privadas e experimentais.
As instituições que participam no SEA representam os níveis pré-escolar, básico, secundário, técnico e de formação de professores. Estão localizadas em todas as regiões do mundo - África, Ásia e Pacífico, Estados Árabes, Europa e América do Norte, América Latina e Caraíbas - , e em países com diferentes sistemas culturais, económicos e sociais, e em vários estádios de desenvolvimento, em áreas rurais e urbanas.
O aspecto mais importante, contudo, não é o número de instituições envolvidas no projecto, mas a qualidade do trabalho realizado pelos participantes, porque os seus projectos piloto visam também inspirar outras instituições a empreender projectos similares.
As Escolas portuguesas integradas no Sistema de Escolas Associadas da UNESCO têm cada uma o seu Coordenador responsável pela participação da Escola no SEA.
A Coordenadora Nacional do Sistema de Escolas Associadas da UNESCO em Portugal é a Secretária Executiva da Comissão Nacional da UNESCO, Drª Manuela Galhardo. O Coordenador Nacional Adjunto é o Dr. José Barrão, professor da Escola Secundária Sá da Bandeira.
As Escolas interessadas em aderir ao Sistema das Escolas Associadas deverão preencher o formulário (a solicitar à Comissão Nacional da UNESCO, existente em inglês e francês) e enviá-lo à Comissão Nacional, que encaminhará o pedido para a UNESCO.
Rede de Escolas Associadas da UNESCO
por nível de ensino e por região, em 15 de Abril de 2003
| Jardim infância/pré-primária | Primária | Primária/secundária | Secundária | Ensino profissional/técnico | Estab. de formação de professores | Total | Nº de países | |
| África | 32 | 813 | 262 | 496 | 34 | 51 | 1688 | 40 |
| Est. árabes | 22 | 203 | 59 | 255 | 3 | 10 | 552 | 17 |
| Ásia-Pacífico | 9 | 381 | 54 | 781 | 51 | 27 | 1303 | 38 |
| Europa/América Norte | 48 | 489 | 112 | 1394 | 137 | 109 | 2289 | 45 |
| América Latina /Caraíbas | 98 | 817 | 261 | 425 | 23 | 66 | 1690 | 30 |
| Total Mundial | 209 | 2703 | 748 | 3351 | 248 | 263 | 7522 | 170 |
PERFIL DE UMA
ESCOLA ASSOCIADA DA UNESCO
As orientações e os critérios que se seguem
representam o conjunto de requisitos principais que deverão preencher as
instituições participantes no Sistema de Escolas Associadas (SEA). Poderão
ser adaptados em conformidade com as condições específicas de cada escola
1.
As Escolas do SEA devem, na sala de aula como fora dela, prosseguir de uma forma
activa o ideário e princípios estabelecidos no Acto Constitutivo da UNESCO. As
suas actividades devem ser orientadas pelas disposições constantes da
Recomendação Internacional sobre a Educação para a Paz, a Cooperação e a
Compreensão Internacional, a Educação para os Direitos Humanos e as
Liberdades Fundamentais (1974), e do Quadro de Acção Integrado sobre a Educação
para a Paz, os Direitos Humanos e a Democracia (1994).
2.
As Escolas Associadas devem praticar um ensino intercultural. Devem ser democráticas
e participativas nas suas estruturas e métodos, envolvendo uma elevada
percentagem de professores, estudantes e pais. Deverão igualmente adaptar como
critérios o trabalho de equipa, um elevado padrão de qualidade, a um ambiente
criativo e empreendedor e num sentido ético.
3.
As Escolas Associadas devem constituir uma rede por meio do estabelecimento de
elos de comunicação entre si e da organização de encontros. Devem procurar a
colaboração com diferentes parceiros, como por exemplo, entidades oficiais e
instituições, ONG, meios de comunicação social, organizações privadas,
empresas, etc.
4.
As Escolas Associadas devem concentrar-se no quarto pilar da educação:
aprender
a viver juntos. Devem assentar o seu trabalho no pressuposto de que o
conhecimento, a familiarização e a colaboração com outros povos e culturas são
enriquecedores e vitais e que uma vida com significado, num mundo futuro pacífico
e sustentável, só pode ser alcançada com esforços conjuntos. Neste contexto,
devem esforçar-se por ultrapassar todos os tipos de barreiras: grupo étnico,
cultura, sexo, linguagem, sistemas políticos, económicos ou sociais, religião,
modo de viver e de pensar, conceitos pedagógicos, ou regiões, Estados, províncias,
distritos, administrações ou instituições.
5.
Conscientes da crescente globalização do nosso MUNDO UNO, as Escolas
Associadas devem centrar as suas actividades em temas como
*
o papel das Nações Unidas e a sua acção na resolução dos problemas
mundiais
*
a educação
para a paz, os direitos humanos, a democracia e a tolerância
*
a protecção e preservação do ambiente natural e do património mundial
*
a diversidade cultural do MUNDO UNO
*
a resolução não violenta dos conflitos
*
a solidariedade para com as vítimas da violência e das catástrofes sociais e
ecológicas
*os
media e as novas tecnologias de informação
6.
As Escolas Associadas devem empreender e desenvolver iniciativas e métodos de
ensino inovadores e esforçar-se por dar a conhecer os resultados do seu
trabalho, de modo a contribuir para a formação de docentes e o currículo dos
alunos.
7.
Cada Escola Associada deve desenvolver o seu próprio conceito de participação
no SEA e apresentar um relatório de execução anual ao coordenador nacional do
SEA.
Projectos da UNESCO
Projecto Atlântico
O Atlântico é o Oceano que liga 3 continentes, através do qual a Europa, durante séculos, impôs a sua cultura hegemónica. Hoje há que torná-lo um espaço de conhecimento partilhado e de diálogo internacional.
O Projecto abrange 2 níveis: o património natural, construído e imaterial, e o diálogo intercultural.
O tema aglutinador é: O estudo do Litoral Atlântico: meio natural e aproveitamento de recursos.
Escolas portuguesas, galegas, africanas e brasileiras trabalham este projecto, em rede.
Projecto Rota do Escravo
“Quebrar o silêncio” é um grande objectivo deste projecto que estuda uma tragédia de duração e extensão enormes, declarada já um crime contra a humanidade: a escravatura transatlântica.
Escolas da América do Norte, Central e do Sul, de África e da Europa partilham a memória de um passado de dominação dos povos africanos mas em que hoje podemos também ver um encontro de culturas.
Conhecer o passado para nunca mais tolerar o intolerável é outro objectivo do projecto Rota do Escravo.
O Património nas Mãos dos Jovens
Lançado em 1994, procura incentivar a participação dos jovens na promoção e na preservação do Património mundial, cultural e natural, (e também local), bem como concretizar o dever de o legar às gerações futuras.
Muito recentemente, a UNESCO integrou o conceito de património oral e imaterial que compreende manifestações culturais tradicionais, como dança e cantares, festas, celebrações e ritos ancestrais, verdadeiros tesouros dos povos que, pela sua fragilidade, correm o perigo de desaparecer.
Como é natural, este projecto comporta temas e admite actividades comuns aos Projectos Atlântico e Rota do Escravo.
Cientistas de Futuro, Homens e Mulheres
“Não somos apenas o futuro, somos também o presente!”
Este lema da UNESCO corresponde aos objectivos deste projecto que, tanto na área das ciências exactas e naturais como das ciências humanas, pretende estimular nos jovens, rapazes e raparigas, a apetência por mais conhecimento e maior participação no mundo da ciência; a bioética, a água, as energias renováveis, a prevenção de desastres, a luta contra a SIDA, as novas tecnologias são temas prioritários para este projecto.
Entre nós, a Escola Secundária de Sá da Bandeira tem constituído um pólo dinamizador deste projecto, com um apreciável acervo de metodologias e experiências partilhadas.
Outros projectos
Temas como a educação para os direitos humanos, para a compreensão
internacional e a paz e para a interculturalidade podem igualmente inspirar
projectos nas escolas, em estreita relação com qualquer dos outros projectos
acima referidos.
Para mais informações sobre a Rede do Sistema de Escolas Associadas, consulte:
Para ver a Lista das Escolas portuguesas integradas no Sistema de Escolas Associadas da UNESCO, clique aqui.